7 dicas de como fazer provas

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Não existe uma fórmula mágica porque cada um funciona de um jeito. Vamos a algumas dicas na hora de fazer sua prova!

Faça simulados ao longo do ano.

Não importa se você estuda em casa, no colégio ou no cursinho. Faça simulados. Eles são muito importantes porque vai treinar seu corpo e sua mente para aguentar longas horas de prova. Através dos simulados, é possível ter uma noção de como está seu desempenho, em quais áreas você se sai melhor e pior, o que precisa ser estudado, tempo de prova, etc.

Bateu o nervosismo?

Muitas horas de preparo, pressões externas e internas, expectativas… É absolutamente normal começar a prova um pouco mais nervoso(a). A adrenalina inicial pode dar a energia necessária para começar a prova ou pode atrapalhar, se for em excesso. Se estiver sem concentração, utilize aquelas dicas para se acalmar!

Comece por aquilo que você tem mais facilidade.

Você é muito bom/boa em história? Comece por isso! É uma forma de garantir que irá acertar naquilo que você é bom, pois seu cérebro vai estar descansado. Além do mais, pode ser que você esteja um pouco nervoso(a) e é uma boa forma de você se acalmar e começar a se concentrar. Entretanto, iniciar pelo que você tem mais dificuldade, ao ver que não consegue resolver algumas questões, pode acabar com sua confiança e abalar seu desempenho durante toda a prova.

Comida.

Os vestibulares e simulados acontecem no período da tarde. Não é recomendado bater um pratão de feijoada para não dar aquela leseira depois da comida. Faça uma refeição leve, mas com aquilo que você já esteja acostumado. Não é dia de provar aquele prato tailandês que você estava curioso para experimentar.
Leve água e alimentos leves, que dão energia. Banana, maçã, barrinha de cereais são alguns exemplos. Para dar um gás no final da prova, um chocolate pode ser uma boa pedida para dar energia e estimular o cérebro.

Tempo

Por mais que seja importante resolver a maior parte das questões, é imprescindível reservar um tempo para preencher o cartão de respostas com tranquilidade. Não adianta nada acertar só no caderno de questões, né? Utilizar uma régua ou a própria caneta na horizontal é uma boa pedida, de modo a garantir que esteja preenchendo a resposta correta daquela questão. Ou mesmo fazer uma marcação a lápis e depois vir pintando definitivamente com a caneta.
Reservar um tempo para fazer sua redação com calma é importante também porque…

Começar pela redação ou questões objetivas?

Na maioria dos vestibulares, a redação tem um grande peso na pontuação final. Por isso, a necessidade de realizar os simulados ao longo do ano. Quanto tempo você leva para fazer a redação? O que funciona melhor para você: fazer antes ou depois das questões objetivas? Independente da sua resposta, é importante que a redação seja realizada de uma maneira que garanta sua qualidade. Se optar por começar com a redação, termine e depois vá para as questões, para não interromper seu raciocínio.
Se você não faz a mínima ideia de como começar a redação, que tal ir elencando alguns tópicos do que você pode abordar?

Cansou?
Se estiver cansado lá no meio da prova, aproveite para ir ao banheiro, lavar o rosto, tomar uma água ou desfrutar alguns minutinhos do seu lanchinho. Outra possibilidade é utilizar esse tempo para passar algumas questões para o caderno de gabaritos.

Essas são apenas algumas dicas, não são regras. Novas estratégias podem ser testadas ao longo do ano, mas não na hora da prova. O que funciona ou não, as dificuldades e facilidades, manejo do tempo são de conhecimento exclusivo de quem realiza a prova. Não é porque está escrito que tal coisa pode funcionar ou que seu professor falou tal coisa, que necessariamente vai funcionar para você. Siga seu ritmo, confie em você e boa sorte. J

 

 

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O que não pode faltar na reta final de estudos

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Faltam poucos meses para o vestibular e muita gente tenta tirar o atraso do ano, compensando com mais horas de estudo, noites em claro e procurando aprender aqueles conteúdos que possui mais dificuldade ou que deixou de lado. A consequência disso é desespero e aproveitamento zero. O segredo é investir no seu potencial. Além disso, nessa reta final é preciso revisar o conteúdo aprendido. Revisar não é só ficar lendo, lendo e lendo e tentando decorar o conteúdo. Você vai acabar dormindo em cima do livro e vai absorver muito pouco se só fizer isso.

Nessa altura do campeonato, você já deve ter percebido qual o seu jeito de memorizar. Eu, por exemplo, preciso escrever porque minha memória é fotográfica. Outros escutam explicações e gravam de primeira e alguns preferem ler. De que jeito você funciona? Independente da sua resposta, sair do estudo passivo é sempre uma boa saída. Ou seja, comece a elaborar mapas conceituais e fichamentos, elencando os tópicos mais importantes de um assunto. Falar para si mesmo, como se fossem aulas, é uma ótima forma de fixar conteúdo. Use e abuse de cores, imagens, vídeos e outros recursos que saiam dos livros e aulas expositivas. Por exemplo, nesse mapa abaixo utilizei cores associados com permissão ou a falta dela, e separei conceitos em dois blocos.

DICAS PARA VESTIBULANDO

Ao invés de ficar se prendendo em conteúdos novos, difíceis e que lhe causarão ansiedade, invista em três coisas: o que você já estudou, no que tem mais facilidade e aquilo que é mais importante para o curso desejado. Ansiedade é tudo o que você menos precisa nesse momento, é importante manter a calma e o foco. Se começar a ver um monte de coisa nova ou aquilo que tem dificuldade, provavelmente irá se desesperar. Por isso, se joga naquilo que você sabe como uma forma de garantir uns pontinhos naquela matéria do coração. Mas é preciso estudar todos os outros conteúdos também!

Monte um cronograma de estudos, intercalando áreas do conhecimento. De preferência, por uma área que você tem mais facilidade e outra mais dificuldade. Por exemplo, se você odeia matemática, mas ama português, intercale os dois. Assim, você irá “descansar” enquanto estuda o que tem facilidade.

Tem dificuldade de concentração? Utilize a técnica pomodoro. Com um cronometro, estude 25 minutos (um pomodoro) sem parar e pare 5 minutos. A cada quatro pomodoros, pare meia hora. Nas pausas, é recomendado se alongar, comer uma fruta leve ou beber uma água. Se tiver um cronômetro que não seja o celular, melhor ainda, para não cair na tentação de checar o insta.

Separe um tempo para continuar a resolver questões dos vestibulares. É importante continuar praticando a redação, pesquise quais são os temas mais prováveis e elabore textos sobre. Se não ficou ligado nas notícias durante o ano, dê uma pesquisada no que aconteceu de mais importante no mundo.

Por último, mas não menos importante: Não esqueça de que relaxar, manter uma boa alimentação, fazer exercícios físicos e dormir são tão essenciais quanto estudar. A gente já falou disso em outro texto. Ademais, keep calm e boa revisão!

 

 

 

Três dicas para te ajudar a diminuir a ansiedade.

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A ansiedade é uma das maiores queixas das pessoas. Como já disse anteriormente no texto “Por que sentimos ansiedade?”, todos somos ansiosos! A diferença está na intensidade em que ela ocorre em nossas vidas. Ela é super importante para a nossa sobrevivência. Entretanto, quando começa a ficar exacerbada, atrapalha demais a vida. Se atrapalha sua concentração, produtividade e até seu sono, esse texto é para você. Algumas dicas podem ser úteis para lhe ajudar a colocar a cabeça no lugar a hora da ansiedade!

 

Respiração diafragmática: as pessoas muito ansiosas não respiram direito. Respiram rápido demais porque estão sempre preparados para a nossa resposta frente ao medo: lutar ou fugir. E como é respirar certo? Você certamente já viu um bebê ou um cachorrinho dormindo. Eles respiram devagar, suave e profundamente. Esse é o jeito “certo” de respirar. Quando respiramos profundamente, o cérebro entende que não há uma situação de perigo, então relaxamos o corpo como um todo. É importante que isso seja feito com frequência, pois o corpo estará preparado para se acalmar mais facilmente em situações estressantes.

Se for possível, vá para um lugar silencioso e calmo. Se quiser, coloque uma música de relaxamento. Feche os olhos e respire com uma frequência mais lenta e prolongada. Se concentre no ato de respirar. Conte vagarosamente até quatro inspirando e expire contando até cinco. Não é necessário puxar muito ar, só respire profundamente. Puxe o ar com o abdômen e o empurre para fora ao expirar. Coloque a mão sobre o peito e o abdômen, e sinta o movimento a cada vez que puxar e soltar o ar. Faça isso por alguns minutos até se sentir mais calmo. Abra os olhos, sinta o seu corpo mais relaxado e levante devagar para evitar quedas de pressão.

Relaxamento bioprogressivo: Tensione grupos de músculos numa contagem até dez, relaxando-os logo em seguida e seguindo com a respiração diafragmática. Para um exercício mais prolongado, inicie com os membros inferiores e suba até a face. Por exemplo: contraia o máximo que puder todos os músculos da sua face (sim, vai ficar uma careta) e conte até dez, relaxando e sentindo diminuir a tensão.

E por último, vou te fazer uma pergunta: você já tentou arrancar uma árvore sem cavucar a terra em volta da raiz? Por mais força que faça, é praticamente impossível mover ela do lugar, por menor que seja a planta. Até graminhas menores já é difícil de puxar dada a profundidade da raiz. Calma, a dica não é sobre fazer um curso de jardinagem.

Quando temos sintomas, seja eles quais foram, é só uma folhinha de uma planta perto da profundidade da raiz – o problema propriamente dito. E por que estou falando isso? Porque aqui tem algumas dicas, mas elas ajudam nos sintomas, mas não na causa do problema. É importante investigar a fundo o que aquele problema diz sobre você. Sou psicóloga, e acredito que se a ansiedade ou qualquer outra emoção esteja exacerbada, atrapalhando a sua vida, minha primeira dica é procure psicoterapia.

Eu percebo um movimento das pessoas se queixarem de problemas e até ter crises gravíssimas de ansiedade, a ponto de parar no hospital, mas não procurarem uma mudança efetiva. Alguns já querem tirar a solução com comprimidos. Remédio pode lhe ajudar? Com certeza! Entretanto, diversos estudos comprovam que medicamentos psiquiátricos são muito mais efetivos acompanhados de terapia. As pessoas sabem que algo está errado, que elas precisam de ajuda, tudo tem sido muito complicado no seu cotidiano, mas relutam em procurar ajuda especializada. Mudar é difícil, é muito mais fácil ficar na zona de conforto. Mas a que custo? Pondere os benefícios de viver assim ou de procurar ajuda especializada. Imagine o quanto de energia iria sobrar para fazer outras coisas!

“Ahh, mas não tenho dinheiro!” Existem inúmeras instituições e atendendo gratuitamente ou a baixo custo! 🙂

Coisas que você precisa fazer e que são tão essenciais quanto estudar!

Children having picnic

Acabamos de entrar em setembro, o que significa um pouco mais de dois meses para as provas dos vestibulares. É imprescindível estudar bastante todo o conteúdo exigido, mas ninguém consegue viver só com a cara nos livros. Você sabia que estudar para o vestibular é considerado um estresse duradouro intenso, ou seja, que causa uma tensão prolongada? Qual foi a última vez que você dormiu pelo menos oito horas de sono seguidas? Que teve uma refeição balanceada? Saiu com seus amigos? Praticou exercício físico regularmente? Dedicou um tempo para seu hobbie?

Um estudo mostrou que 67.7% dos alunos em situação de pré-vestibular manifestaram estresse. Alguns psicólogos consideram que o estresse pode ser dividido em fases. Uma pesquisa quantificou que 94.2% dos vestibulandos estavam na chamada “Fase de Resistência”, que é a tentativa de encontrar um equilíbrio após passar por um período de estresse muito grande. Nessa fase, há grande gasto de energia tentando alcançar esse equilíbrio, além de sintomas como cansaço, desgaste, esquecimento e até dúvidas sobre a própria capacidade. Dificuldade de concentração, dores de cabeça, dores musculares, tontura…  E aí, parece com você nesse momento?

Uma coisa que um vestibulando precisa é de energia. E equilíbrio. Nesse segundo semestre, ainda há apresentação de muito conteúdo e a retomada de tudo aquilo que já foi dado. A única coisa que você não precisa é justamente de algo que atrapalhe seu desempenho nos estudos e muito menos na hora da prova.

Estudar em excesso pode fazer com que a produtividade e a retenção do conteúdo diminuam. O que vai acontecer se estudar em exagero é entrar em um ciclo de ansiedade infinito: Precisa estudar – sentar para estudar – não conseguir se concentrar – culpa e ansiedade. Resultado? Rendimento zero.

Quando estamos em uma aula ou estudando, temos a capacidade de reter nossa concentração plena por mais ou menos uns vinte minutos. Conheça seu limite e o quanto você rende.  Se a concentração está indo embora, é bom dar uma pausa de uns minutinhos. Faça um alongamento curto, ouça uma música, dê uma levantada para beber uma água ou o que você quiser, mas que não exija muito do seu cérebro (como usar computador e celular!).

Parecem dicas bobas e óbvias, mas manter um equilíbrio entre estudos e um tempo para descansar é essencial até para a fixação dos seus estudos. Dormir é essencial para que a memória funcione, não adianta virar a madrugada na base do café. Exercícios físicos aumentam a oxigenação do cérebro. Ativar os centros de prazeres fazendo coisas que você gosta – como sair com os amigos, namorar e ter hobbies – libera hormônios que promovem a sensação de felicidade e relaxamento, o que diminui os hormônios do estresse. Entrar em contato com a natureza também alivia o estresse – não precisa ser nada muito mirabolante, só de deitar na grama em um domingo ensolarado já recarrega as energias. Cuidar da alimentação previne doenças e melhora o desempenho físico e mental.

Certamente, deve ter alguém – provavelmente você mesmo ou alguém da sua família – que irá perguntar “por que você não está estudando?” se fizer qualquer uma dessas coisas citadas anteriormente. Porém, ter um tempo para descansar é tão essencial quanto estudar!

Conclusão: estudar é importante, mas viver só disso pode ser o fator que irá ser decisivo para reprovar ou não. Não adianta nada saber tudo de matemática, mas na hora H ter uma crise de ansiedade. A cobrança é muito grande, mas geralmente quem mais se cobra é você mesmo. Relaxar um pouco é tão essencial quanto estudar! Procure um equilíbrio. Isso irá ajudar na memória, concentração, humor, saúde e desempenho. E se estiver difícil de enfrentar tudo isso sozinho, não hesite em procurar a ajuda de um profissional. Nós, psicólogos, estamos aqui para ajudar! 🙂

 

 

O que a Netflix acertou e errou em Atypical.

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A Netflix (netflix é menina!) possui várias séries originais, e uma delas é a Atypical. O protagonista é um garoto de 18 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) de alta funcionalidade. Atypical é uma série leve, que convida o espectador a rir, chorar e se surpreender. A trama gira em torno de problemas típicos da adolescência, como namoro, amigos e preocupação com futuro, com o diferencial de ter um personagem com uma condição neurobiológica. A série possui vários pontos positivos e um ponto muito negativo. O texto contém spoilers sobre a série, depois não diga que eu não avisei!

Primeiramente, vou enfatizar o quão legal é ter uma série sobre TEA no maior serviço de streaming de séries e filmes! A ideia que se tem sobre os autistas – tanto para o público leigo quanto para os profissionais! – é uma criança que não fala, não olha nos olhos e que fica se sacudindo para frente e para trás. Sam, o protagonista, foge do estereótipo: conversa, olha nos olhos, vai à escola, anda sozinho pela rua, desenha, lê, escreve, trabalha em uma loja de eletrônicos, faz suas atividades de vida diária, etc. Ou seja, possui uma independência, que não é possível para todos que estão dentro do espectro do autismo. Então, ele não seria um Asperger? Não, porque essa denominação caiu em desuso, de acordo com o DSM-V. A palavra espectro abre uma gama de condições, entre elas, o autista de alta funcionalidade.

O objetivo de Sam é arranjar uma namorada. Logo no começo, ele consegue sair com uma menina. Logo, eu pensei que já ia virar novela das nove e cair em coisas que fogem da realidade. Pois, eu me enganei! A menina faz um carinho leve em Sam, o que o incomoda a ponto de jogá-la no chão, terminando em uma noite desastrosa. Uma das características do TEA são as questões sensoriais: o tato, cheiros, gostos, texturas, luminosidade e barulho são percebidos de formas diferentes em relação a pessoas neurotípicas. Os TEA podem viver nos extremos: podem gostar de contato muito intenso  – que é o caso do Sam – ou muito leve.

A série nos permite tentar entender como as pessoas com TEA veem e sentem o mundo. É muito difícil imaginar como é estar em uma festa e não suportar o barulho, que pode até desencadear uma crise de pânico. Sam não gosta de ir ao shopping justamente por conta das luzes e do barulho; na escola usa fones de ouvido antirruídos; ao sentar-se no banco do ônibus, não toca suas costas no encosto do banco porque o incomoda; só veste roupas cem por centro algodão; só suporta abraços fortes e entre outras situações. Por mais que tentemos nos colocar no lugar deles, ter essas sensações reproduzidas por imagem facilita o entendimento.

Além disso, Atypical é muitas vezes narrada pela perspectiva do próprio Sam. Uma das falas que me chamou muito a atenção foi: “As pessoas pensam que os autistas não têm empatia, mas isso não é verdade. Nem sempre sei se alguém está chateado, mas, quando sei, eu tenho muita empatia. Talvez mais que os neurotípicos.” A grande dificuldade de comunicação de alguns autistas é devida sua dificuldade em ler expressões faciais e corporais, metáforas, piadas e expressões, ou seja, pensamento abstrato, levando muitas coisas ao pé da letra. Sam enfrenta diversos problemas por conta dessa dificuldade, o que não o impede de corrigir seus erros, buscar aprender sobre as pessoas ou saber que estão tirando sarro dele, mesmo que ele não entenda o motivo.

Outro ponto bastante interessante da série é a evidência do outro lado da moeda: os cuidadores. Elsa, sua mãe, é super protetora, sendo a primeira a desaprovar as ideias de Sam em querer arranjar uma namorada ou querer tornar o shopping um lugar mais acessível para o filho. Ela bate de frente com sua psicóloga, Julia, questionando os incentivos da terapeuta para que ele seja mais independente. Com a busca de Sam por mais autonomia, Elsa se vê sem uma função para os filhos, o que dá muito pano para a manga numa discussão sobre a Síndrome do Ninho Vazio. Sua vida gira em torno do diagnóstico do filho, e quando ela vai procurar cuidar mais de si, se vê aliviada com a possibilidade de uma parte de sua vida não estar ligada ao autismo.

Outro ponto lindo da série é que a mãe frequenta um grupo de cuidadores de autistas e o pai, mais para o fim da série, aceita a indicação de terapia da psicóloga de Sam. É muito importante que os pais procurem ajuda. O pai de Sam, Doug, por outro lado, possui muita dificuldade em se relacionar com o filho, o que demonstra a frustração de muitos cuidadores em tentar, tentar e não conseguir algum ponto de comunicação com os autistas. Em um momento, fica evidente que Doug esconde o diagnóstico do filho de seu melhor amigo, o que gera problemas com a esposa.

Nenhum pai ou mãe espera que seu filho possua uma condição, seja ela física ou neurológica. O TEA, geralmente, demora para ser diagnosticado. Em geral, as pessoas desconfiam de autismo quando a criança atinge seus dois anos e não fala. É um processo que faz sentir medo, angústia, tristeza, raiva, impotência, desgaste e uma série de outros sentimentos, que precisam ser trabalhados em algum momento. Existe um ser humano dentro de todo cuidador. Também há um movimento dentro de grupos de pais de autistas em desmerecer a dificuldade dos autistas de alta funcionalidade, devido à “facilidade” do cuidado em relação a autistas mais graves. Pensar dessa maneira é restringir espaços de abertura para discutir as dificuldades.

Nesse grupo de apoio, uma mãe evidencia a grande alegria que foi sua filha, de quinze anos, falar algumas palavras. Dessa maneira, a série deixa claro que, apesar de haver pessoas com TEA de alta funcionalidade, existem pessoas dentro do espectro que possuem outras mil dificuldades. Há casos de TEA em que as pessoas não falam; com outras comorbidade – como, por exemplo, a hiperatividade; são agressivas; e, alguns precisam ser institucionalizados. É importante que as pessoas sejam realistas e não se iludam sobre o TEA, não são todos poderão ter a autonomia e as possibilidades de Sam. Cada caso é um caso.

Ainda na família, Sam é irmão mais velho. Casey, também adolescente, o ajuda dentro da escola e em outros ambientes. Em alguns momentos, a série mostra a dificuldade de se conviver com uma pessoa com TEA. Seus pais perdem grandes conquistas de Casey devido ao cuidado com Sam. Seu namorado se revolta em um jantar, dizendo que é preciso que Doug e Elsa se lembrem de que possuem dois filhos, o que faz com que os pais passem a dar mais atenção a Casey. Ela é uma pessoa bastante compreensiva, que se preocupa muito com o irmão, mas não a impede de tratá-lo diversas vezes como uma irmã trataria qualquer irmão.

No trabalho, Sam convive com Zahid, que também é adolescente. Ele é um personagem bastante divertido, e que me remeteu muito o filme Intocáveis. Por quê? Porque Zahid trata Sam como uma pessoa normal, não coloca sua condição em evidência. Ele fala bobagem como garotos adolescentes falam, o ajuda com garotas e, moralismos a parte, até o leva numa casa de strip tease. Às vezes, as pessoas que possuem alguma condição, seja física ou mental, só precisam ser tratados como todos os outros.

Agora, o grande ponto negativo. Aliás, grande ponto negativo na maioria dos personagens que representam psicólogos em outras séries. Julia é sua psicoterapeuta. Ao longo da série, ela faz sessões bastante fidedignas com o papel da psicologia. Até que Sam declara seu amor a ela, e na maior naturalidade, comenta que invadiu sua casa procurando por ela, para presenteá-la com uma caixa de morangos. Nesse momento, Julia está passando por momentos difíceis, como uma gravidez não planejada e um término de namoro recente (o morango cai embaixo do sofá, o que deixa Julia paranoica que seu namorado estava lhe traindo). Quando Sam se declara, ela explode em raiva, gritando com ele, dizendo que ela não namoraria o paciente adolescente. Acho importante que a série frise que psicólogos possuem uma vida além do trabalho, dificuldades éticas e tudo o mais. Porém, Julia poderia não ter perdido o controle e ser a responsável por desencadear um ataque de pânico em Sam. Por quê, Netflix? Já não bastou a psicóloga doente em Gypsy? Acredito que esse tipo de imagem para a psicologia é um grande desserviço, que desencoraja as pessoas de procurarem ajuda!

Tirando esse único ponto sobre a psicóloga, a série é incrível. Atypical é bastante realista, frisando que TEA é uma condição neurobiológica, não possui cura e são necessário diversas terapias. Pude entender mais o lado de algumas pessoas com TEA que eu atendo. É uma série obrigatória para psicólogos, fisioterapeutas, neurologistas, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, acompanhantes terapêuticos e toda a equipe multidisciplinar, que busca promover saúde, autonomia e qualidade nas pessoas portadoras de TEA.atypical

Psicologia é resistência.

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Ser psicólogo em um Brasil desigual, que desmantela direitos todos os dias, é resistência.  Atire a primeira pedra quem não ponderou seriamente em mudar de profissão ou largar a faculdade. É resistência porque enfrentamos a tomada do nosso lugar cada dia mais por outras atuações, na promessa de felicidade plena e imediata – e que a sociedade compra. É resistência dentro de órgãos que pouco contribuem para o crescimento da profissão. É resistência dado a remunerações baixíssimas e carga de trabalho incompatíveis. É resistência com a desvalorização da sociedade, como um todo. É resistência a cada propaganda de táxi, de revistinha de mercado, de rede de fast food que trás a mensagem “psicólogo para quê?”. É resistência ter muito o que precisa ser feito, nas esferas micros e macros, e pouco o que se pode fazer.

Mas seguimos fortes. Seguimos em prol de ouvir, acolher, ajudar o próximo. Seguimos nos consultórios, hospitais, saúde pública, escolas, tribunais, empresas e instituições. Seguimos estudando, aprimorando e aprendendo todos os dias. Seguimos porque nosso maior retorno é na saúde, nas possibilidades, no empoderamento e na qualidade de vida do outro.

Dizem que quem estuda o universo é a astronomia. Mas o que é a psicologia senão um astronauta que se aventura nos infinitos universos que habitam dentro de cada ser humano?

Feliz dia dos que pensam primeiro nos outros, transbordam empatia, cuidado e escuta. Feliz dia dos profissionais que trilham com e não para nossos pacientes/clientes. Feliz dia de quem sabe que o caminho é certo a cada sorriso. Feliz dia do psicólogo.

“Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.” Jung.

Por que sentimos ansiedade?

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A ansiedade é uma emoção universal importantíssima, ao contrário do que muita gente pensa. É uma sensação de apreensão ou medo, antecipando um perigo possível. Apesar de gerar um desconforto, foi graças a ela que pudemos nos adaptar em diversos ambientes e condições.

Essa emoção existe em todos os seres vivos. Caso não houvesse ansiedade, os animais não ficariam em alerta para evitarem de ser caçados. Da mesma maneira, quando vivíamos em cavernas, a ansiedade nos manteve atentos para procurar abrigo e não virar presa fácil.

E para que ela serve nos dias de hoje? Não é porque não disputamos território e alimento com outros animais que não temos mais ameaças no nosso cotidiano. A ansiedade é um “alarme” para a nossa sobrevivência em diversos âmbitos, como atravessar a rua, fazer uma prova, ter reunião, dirigir um carro e sacar dinheiro no caixa eletrônico. A ansiedade se manifesta, dependendo do nível do perigo, com alguns sinais fisiológicos: taquicardia, sudorese, tremor, respiração rápida…

Mas quando ela se torna desadaptativa? Ou seja, quando passa a ser um transtorno? Quando ela começa a afetar nossa qualidade de vida nas tarefas diárias. Insônia, falta de concentração, patologias associadas (gastrite nervosa, dores de cabeça, etc) e respostas “exageradas” frente a um estímulo a priori inofensivo. Por exemplo, se uma pessoa foi assaltada por um ciclista, pode ser que ela desenvolva um medo de pessoas que andem de bicicletas, o que não necessariamente significa que ela possui um transtorno (em um caso grave, seria o Transtorno do Estresse Pós-Traumático). Vai depender o quanto aquilo lhe atrapalha o cotidiano. Porém, se ela deixa de sair de casa por um período longo, com medo de ser assaltada é hora de procurar ajuda especializada.

As pessoas que são ansiosas geralmente funcionam numa lógica de catastrofizar todas as situações futuras, ou seja, olham pelo pior lado da situação. Por exemplo, o companheiro pede para conversar e a pessoa já fica ansiosa, achando que o relacionamento irá terminar, quando pode ser uma conversa para contar uma novidade importante, como uma promoção do emprego. Essa visão é construída ao longo do nosso desenvolvimento, principalmente durante a infância e a adolescência, em uma interação de fatores como características pessoais, história de vida, cultura e ambiente.

Os transtornos de ansiedade são os mais comuns entre as pessoas, incluindo as crianças, e podem estar associados a outros transtornos, como a depressão. Mas, você não precisa sofrer sozinho e nem esperar o negócio ficar feio, a ponto de ter que associar a tratamento medicamentoso. As psicoterapias costumam ajudar muito em situações como essas, além de contribuir para promover autoconhecimento e resiliência, contribuindo para que uma ansiedade leve hoje não vire uma bola de neve amanhã. Prática de exercício físico, meditação, hobbies, alimentação saudável e outros fatores podem contribuir para uma vida mais equilibrada.